
Não tem mais jeito, hoje em dia é assim mesmo. Só me dei conta quando meu irmão verbalizou com todas as letras ao telefone: o celular é praticamente um ship humano. É realmente irritante que, em pleno século XXI, não se consiga falar com uma pessoa na hora que você quer ou a qualquer hora do dia. Marcar reuniões, fechar negócios, conectar-se a um enorme stuff em segundos. Celular.
Quando era professora, irritava-me constantemente com os aluninhos de 10, 11 onze com seus tamagoshis a postos. Mesmo por que, naquela época, eram as próprias mães que ligavam para interromper as aulas. Às vezes para avisar que já haviam chegado para levá-los pra casa ou para avisar que não poderiam ir buscar seus pimpolhos no horários combinados, que iriam se atrasar, etc.
Hoje, mudei de idéia e não tenho mais raiva daquelas mães. Com um filho de sete anos de idade, tenho mesmo é vontade de fura-lhe os pulsos e introduzir um ship que me deixe segura e com a cabeça fresca para poder trabalhar e viver meu dia-a-dia tranquilamente, já que não posso controlar sua vida e ficar 30 horas por dia ao seu lado. Já é independente. Ah, e é férias.
As crianças do bairro, principalmente as meninas, me atualizam das últimas tecnologias em celular, assitências técnicas, lojas de acessórios, enfim. Até fizeram eu descobrir que o celular que adquiri em dezembro já está fora de linha. É incrível. E lembrar que aos 15 ainda brincava de barbie com minhas amigas do ballet. Rárárá
Já que este tipo de tecnologia não chegou as minhas mãos, dei-lhe um celular. Menos cruel que fura-lhe os pulsos e introduzir-lhe um ship e, mesmo assim, eficaz, pelo menos por enquanto. Sei na casa de quem está e onde está. Sei, claro, quando ele me liga ou quando eu consigo fazê-lo atender o celular, mesmo depois de algumas tentativas. Passo algumas angústias, afinal, já comentei que é férias?
Ai, pensando bem, se quiser ficar tranqüila mesmo, vou que precisar de um ship.
Já imaginou? Com um toque no computador, poderia encontrá-lo e não precisaria ficar ligando e dando uma de mãe má, super protetora. Ah, eu amo a tecnologia…